quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O que dizer da flor?

O que dizer da flor?
O que queres de mim?
Se ao teu lado estou,
rosa, lis, margarida, jasmim.

Sou o teu calice,
envolvo-te nas sépalas.
Tu és a minha corola
de coloridas pétalas.

Protejo e guardo-a
enquanto não desabrocha,
mas chegará o tempo
que como outra, debocha.

O meu verde não terás,
chamarás toda a atenção
com o perfume a inebriar
a mais profunda sedução.

Então a poesia está feita,
toda aberta ao polinizador
que sugará toda a seiva
sem ti oferecer o amor.

Provará do teu néctar,
acabará o teu pudor.
Dorme e não desperta.
O que dizer da flor?

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Linda Cearense dos XVIII aos XIX Anos

Teu beijo é mais doce
do que o Cariri,
então, me jogo para ti
como no porto, Aracati.

Tua pele o algodão
branco em Fortaleza.
Eu carne, o sertão,
diante da tua beleza.

Alimente a minha revolução
com a maciez da tua tez,
aproveitando-me da secessão
que houve entre vocês.

Sou quem melhor te faz
O teu primeiro amor,
o teu Aquiraz.
Preciso de ti demais.

Sua rejeição a mim,
amarga como o café,
como se eu mastigasse
o maciço de Baturité.

Nunca mais Aracati,
não mais Fortaleza,
quanto menos Cariri
para a nossa tristeza.

( Carlos Italo Nogueira Alves)